Valorização Profissional Do Bartender

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Aportar valor só se consegue com uma formação transversal.

Na minha opinião, se queremos que a nossa amada profissão de Bartender começe a ser respeitada temos que apostar na formação pessoal, não só na formação técnica mas também na formação em gestão, comportamental e operacional, falo por exemplo de cursos como Gestão de Conflitos e Gestão Empresarial, só desta forma haverá ligação entre os quadros superiores e os quadros médios e ganharemos preponderância.


Também não podemos aceitar todo o tipo de trabalhos que nos aparecem, verifico constantemente contratações que recebem pouco mais do que o ordenado mínimo a trabalhar seis dias por semana em horários completos ou até mais e com funções de PPT (pão para toda a obra), isso não valoriza nem a profissão nem o profissional.


O que acontece posteriormente é que bons bartenders que aceitam essas condições cansam-se, porque deixam de ter vida própria, depois veem os mais jovens que aceitam as condições anteriores e não criam, apenas limitam-se a copiar o que foi feito e como tal não há uma evolução natural, pois em poucos dias tornam-se responsáveis por um espaço, aceitam fazer funções de bartender, busboy, empregado de mesa, limpeza, copa, bar managers, tudo e mais alguma coisa.


Compreendo a exaustão de trabalharem tantas horas mas não pode acontecer o que é recorrente e nos tem tirado muita credibilidade, que é o facto de abandonarem o local de trabalho, muitas vezes sem aviso prévio e sem compensações para a empresa e para o profissional.


No entanto, saliento também que temos que saber qual o tipo de empresa, se estivermos a trabalhar num bar pequeno obviamente que temos que ter mais funções, neste caso aconselho a que sejam humildes, fiéis e se dediquem ao crescimento do negócio para posteriormente haver dinheiro para a empregada de limpeza e um subordinado.
É muito mais fácil aportar valor e crescer num pequeno negócio do que numa megaestrutura, da mesma forma que é mais fácil mudar o rumo quando dirigimos uma lancha do que um petroleiro.


Façam-no sempre com o intuito de fazer crescer o negócio deixando um legado, isto porque muitos profissionais têm o pensamento de que criar as suas receitas não partilhando as fichas técnicas, quase que a demonstrar que quando me for embora quero ser notado, quero que o bar perca qualidade e vendas. Este não é o pensamento de um bom profissional em nenhuma área. Um bom profissional deve querer deixar um legado e não uma ruína!


Aconselho a estudarem marketing, comunicarem nas redes sociais em prol do negócio e SEMPRE com devido cuidado nas imagens que publicam, porque estão a trabalhar não só no marketing da empresa como também para o vosso marketing pessoal.


Não se esqueçam que os empregadores que estão de “olho em vocês” muitas vezes vão ao vosso local de trabalho analisar-vos, esta é a melhor entrevista de trabalho e a vossa melhor resposta é-lhes dada com a vossa postura e forma de trabalhar.


Existe uma panóplia de serviços que ajudam o profissional a ser mais qualificado, produtivo e competente nas suas tarefas. Com a informação que temos disponível, o Bartender vai conhecendo e seguindo as modas, por exemplo, a moda hoje em dia é do jigger-medidor, mas há uns anos atrás era a técnica de medição com pourers que estandardizava as bebidas. Pergunto, quem treinava para fazer estas técnicas de medição?


Se pensarmos em trabalhar com as duas mãos seremos duplamente mais rápidos mas porque a moda atual é trabalhar com o jigger é o que todos fazem, é de facto um serviço elegante mas que leva tempo, o bartender vende muito menos porque leva mais tempo a servir porque não tem capacidade de escoar e se adiarmos o consumo, 5m, 10m, 15 ou 20m o Cliente já não vai beber a segunda bebida.


Esses são aspetos que o Bartender tem que ter em conta e analisar os números. O Bartender por si só é um criador, mas é por isso que deve estudar para ter um conhecimento global, não só elaborar bebidas “bonitas”, tem que ter noção do negócio, tem que apresentar com números, rácios, profits, de forma que o Bartender seja mais valorizado pois tem outras competências que são uma mais-valia concreta para o
negócio a todos os níveis.


Um Bartender tem que ter obrigatoriamente uma cultura geral, saber de política, desporto, novelas, nós lidamos com médicos, engenheiros, jardineiros e temos que saber comunicar para todos os estratos sociais.


O Bartender tem que deixar de ser apenas um “servidor de copos” e só conseguirá dignificar a profissão se se instruir de forma transversal.


Só assim seremos respeitados, para nosso próprio bem e para bem da profissão.


Estamos juntos!

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